| Message | Não concordo com o aforismo de que a "inteligência é a faculdade através da qual compreendemos que tudo é incompreensível", pois que ele carrega consigo, irremediável e evidentemente, um paradoxo fatal, mesmo um ilogismo. Afirmar que se compreende que nada se compreende é, em si mesma, uma enunciação errónea. Acredito, isso sim, que o homem, quanto mais inteligente for, mais compreenderá que não abrange em seu espírito uma imensidão de conhecimento, isto é, quanto mais larga for a esfera do seu pseudo-conhecimento adquirido, mais larga será a esfera daquilo que não conhece, até chegar ao ponto de compreender a única coisa que pode compreender: que todo o conhecimento que julga ter não é senão o pressentimento de conhecer, um não conhecimento, pois que conhece apenas parcial e subjectivamente com o sentir, nunca total e objectivamente, com a razão. Perceberá, então, quando conseguir anular todo o raciocínio difuso, exceptuando este, que o que compreende é um ponto perdido no meio da infinitude do tudo, centro de esfera nenhuma. |